1- Este é o cântico da quem ele amou. Esta é a memória deixada por ninguém, honrando aquela que ninguém também se tornou, assim sendo, por se desprender do ludíbrio e seguir sua senda.
2- Pois é dito que cada um segue sua senda, mas o caminho é único assim como único é o destino final.
3- Não temam a lâmina. Não temam a lâmina. Não temam o epílogo.
4- Ó senhora consumada. Que tua entrega compraza a Morte. Tu que tanto comprazer deste ao povo da superfície.
5- Tolos são os que enganam a si mesmos, burlando-se, prezando o esquecimento e crendo, temerosos, que a passagem na carne é eterna.
6- É dito, pois, que ele a desejou mais do que todos, antes de, sequer, ela vir à mortalidade. Do ventre de sua mãe ele a confortava, pois sabia desde já que seus dias estavam contados. Saber que morreria alegrava a Donzela.
7- Um nome, como é de costume, a impuseram, porém a Morte não gosta de nomes. Não gosta de nomes nem título nem hierarquia.
8- Ela, então, veio à mortalidade, honorificada com o graça de sua casa real, pois domina todos os condados e baronias. Mas isso não a convém, e nem à morte, portanto é intitulada, Dama Abnegada ou Dama da Consumação, o que outrora era referida como Aquela que Beijou a Morte, ou Aquela que ele Amou.
9- Quando nasceu a Dama, o céu se enegreceu e era a noite mais fria desde tempos. A Morte se revelava e disso os sábios tinham ciência.
10- E, temendo por sua morte, foi reservada por seu próprio pai, trancada numa torre distante do palácio e do mundo até sua pubescência.
11- De sua habitação retratava sua arte, traços e verbos vívidas. Seus tutores lha ensinavam cantigas, onde só tocava para si, assim como só para si sua alma era reservada. Egoísmo sem conceber.
12- Assim ela cresceu, sem conhecer a morte, sem conhecer a miséria e sem conhecer a tirania.
13- Quão conveniente é fechar os sentimentos. Quão conveniente é se limitar ao conforto. Quão conveniente é viver como uma memória, pois estas sim são eternas na história.
14- E estes foram os versos da ilusão.
15- Lembra-te de que morrerás.
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2- Pois é dito que cada um segue sua senda, mas o caminho é único assim como único é o destino final.
3- Não temam a lâmina. Não temam a lâmina. Não temam o epílogo.
4- Ó senhora consumada. Que tua entrega compraza a Morte. Tu que tanto comprazer deste ao povo da superfície.
5- Tolos são os que enganam a si mesmos, burlando-se, prezando o esquecimento e crendo, temerosos, que a passagem na carne é eterna.
6- É dito, pois, que ele a desejou mais do que todos, antes de, sequer, ela vir à mortalidade. Do ventre de sua mãe ele a confortava, pois sabia desde já que seus dias estavam contados. Saber que morreria alegrava a Donzela.
7- Um nome, como é de costume, a impuseram, porém a Morte não gosta de nomes. Não gosta de nomes nem título nem hierarquia.
8- Ela, então, veio à mortalidade, honorificada com o graça de sua casa real, pois domina todos os condados e baronias. Mas isso não a convém, e nem à morte, portanto é intitulada, Dama Abnegada ou Dama da Consumação, o que outrora era referida como Aquela que Beijou a Morte, ou Aquela que ele Amou.
9- Quando nasceu a Dama, o céu se enegreceu e era a noite mais fria desde tempos. A Morte se revelava e disso os sábios tinham ciência.
10- E, temendo por sua morte, foi reservada por seu próprio pai, trancada numa torre distante do palácio e do mundo até sua pubescência.
11- De sua habitação retratava sua arte, traços e verbos vívidas. Seus tutores lha ensinavam cantigas, onde só tocava para si, assim como só para si sua alma era reservada. Egoísmo sem conceber.
12- Assim ela cresceu, sem conhecer a morte, sem conhecer a miséria e sem conhecer a tirania.
13- Quão conveniente é fechar os sentimentos. Quão conveniente é se limitar ao conforto. Quão conveniente é viver como uma memória, pois estas sim são eternas na história.
14- E estes foram os versos da ilusão.
15- Lembra-te de que morrerás.
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