1- Há tempo que vago por entre os mortos a procurar a luz que há de preencher o negrume do meu interior, contudo, contemplo um túmulo vazio.
2- Adentrei a gruta do Conhecimento, o abismo no qual devo contemplar. Nos altos firmamentos o meu corpo dissolve como bruma, enquanto no solo terrestre a bruma coagula em meu denso corpo.
3- Nas alturas estreladas consigo enxergar o todo a me cingir, cada estrela, cada reino. Na superfície, adentrando em meu ser, consigo enxergar o todo que há dentro de mim, as estrelas que me iluminam e meus reinos interiores.
4- Sou um peregrino neste mundo, e, assim, consigo compreender o todo que há em mim e fora de mim.
5- Não sou mais eu quem prossigo o caminho, mas é aquele, que não me foi revelado, quem me leva para o caminho do meu destino até o alto monte onde peregrinos se transmutaram em profetas, onde profetas se transmutaram em deuses.
6- Da negra escuridão que tomava meus pensamentos, o rubor o encaminhou. Do rubor que encaminhou meus pensamentos, a alva luz há de me iluminar. Pois, assim como o negrume do Nada reinava no universo, a divindade recendeu o Desejo de seu rubro coração, e, deste tão santo Desejo, o branco do Todo reinou no lugar do Nada.
7- No alto do monte me encontro entre a faceta superior e a faceta superior do Todo. Do alto do monte avisto os templos pelos quais passei e, não obstante, as ermidas no qual selei meu destino. São apenas lembranças que me resguardam para o oculto que me será revelado:
8- Três suntuosos santuários eu avisto no pico mais alto do monte. Tão colossais que é impossível distinguir onde acaba um e começa o outro.
9- Num exuberante pátio percorro até alcançar a porta do primeiro santuário, embora o terceiro de seu trio, que devo entrar. No pátio vejo figuras entalhadas de homens e animais, todos tão reais, porém, tão abstratos conforme chego perto da porta, até que todos alcançam uma aparência singular.
10- Enfim abro a grande porta e me vejo em seu interior. O santuário é simetricamente perfeito, cujas nervuras que saem de suas colunas convergem para o topo da grande abóbada. As pedras que formam suas paredes são tão polidas que reflete sete vezes tudo em seu interior.
11- Neste santuário o trabalho humano é contemplado, assim como o trabalho do Inefável no santuário exterior, cuja singularidade de seu âmago fez surgir todo o espectro de cores, sabores, odores e sons.
12- Cada eco emite uma infinidade de sons, assim como o refino da luz faz surgir o infinito da orbe celeste, assim como cada indivíduo possui suas particularidades, embora unidos estamos como irmãos, assim como tudo na grande orbe está unido.
13- Na parede através do altar está escrito a palavra Entendimento. Contudo, nada entendo e não compreendo a singularidade que possibilita este sentimento, e hei de descobrir no santuário que segue.
14- Atravessando a câmara lateral, ao sul, logo me vejo no interior do segundo santuário, tão ofuscante quanto o anterior.
15- De seus cristalinos vitrais, os raios de luz transpassam, a atingir cada parede e cada objeto sagrado, como a manifestação do amor incondicional de um coração da mais perfeita candura.
16- A singularidade se exalta neste santuário, valendo-se como uma brilhante luz, ou uma estrutura contínua e eterna, ou ainda uma única palavra que faz aplacar o rancor, assim como faz edificar todo o universo.
17- O firmamento do santuário é tão alto a ponto de distorcê-lo da vista. Entretanto, seu reflexo no límpido pavimento comprova a sua tão valorosa beleza, assim como a sua proveniência do mesmo rijo mármore.
18- Na parede através do altar está escrito a palavra Sabedoria. Esta que me conduziu por caminhos de óbice, causando-me medo e pavor, atormentando-me com sua disciplina até que eu admitisse confiança e recebesse sua triunfal experiência.
19- Contudo, ela me reconduzirá por caminhos de retidão, trará alegria pra minha face e a mim manifestará seus segredos.
20- Meu sopro imortal recebe o alento que necessita e a ardente vontade de adentrar o mais íntimo mistério daquele que rege a minha sina.
21- Infiltrando-me no corredor que segue em sentido nordeste, me vejo dentro do último santuário, o mais distante, cuja estrutura atrai os olhos e a alma como a coroa gloriosa do Inefável.
22- Neste santuário se encontra o que não se pode ver, se ouve o que não se pode ouvir, se toca o que não se pode tocar. Neste santuário todas as quimeras são reveladas.
23- Não há como traduzir o que vejo por palavras que me fogem da boca toda vez que ouso clamar a deslumbrante beleza deste santuário. Seu magnânimo trabalho de alvenaria atesta o que ninguém poderia construir e seu brilho é tão impactante a ponto de projetar seus raios para o santuário anterior.
24- No entanto, só o vazio prescreve o que há em seu interior. É o caos que precede a ordem e faz o mundo segundo sua tão admirável vontade. O que é lícito ao velho peregrino conhecer?
25- Assentado no santuário está a Glória Primordial, pois ela é o que é, assim como eu sou quem sou. Contudo, meu ser se esvai a cada vez mais, morrendo em mim mesmo e dando espaço à tão admirável Glória que aqui domina.
26- Eu renuncio. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei às minhas paixões. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei ao conforto, à ganância e à vingança.
27- A dor de minha morte apraz o sopro de minhas narinas, o mesmo sopro que veio do mais íntimo do Inefável e a ele retornará. A colheira terá chegado enfim?
28- Meu coração arde em chamas, porém, sem consumí-lo, com uma intensa vontade de unir-me à cristalina chama que arde no altar. Esta vontade jamais oscilará, mas eternamente viverá como a mais sólida rocha onde todas as edificações poderão ser erguidas com arrojo.
29- De peregrino, agora sou um com o todo, nada para o mundo e tudo para a plenitude da divindade.
30- Fui um peregrino. Segui a minha sina até ao Criador da Vida retornar.
31- A voz que de mim profere ecoa nos mais altos firmamentos celestes até no mais profundo abismo, da brisa que perpassa as árvores até as correntezas dos riachos, ressignificando todas as criaturas e dignificando todos os humilhados.
32- Todos são dignos de minha sina a fim de alcançar os altos mistérios. Todavia, é indeclinável entoar os mais significantes cânticos, enunciar as mais profundas preces, entregar a si mesmo e renunciar aos mais sórdidos desejos.
33- E, a todos os que almejam a libertação, que não percam o tempo que foge. TF.SN.QN.VU
2- Adentrei a gruta do Conhecimento, o abismo no qual devo contemplar. Nos altos firmamentos o meu corpo dissolve como bruma, enquanto no solo terrestre a bruma coagula em meu denso corpo.
3- Nas alturas estreladas consigo enxergar o todo a me cingir, cada estrela, cada reino. Na superfície, adentrando em meu ser, consigo enxergar o todo que há dentro de mim, as estrelas que me iluminam e meus reinos interiores.
4- Sou um peregrino neste mundo, e, assim, consigo compreender o todo que há em mim e fora de mim.
5- Não sou mais eu quem prossigo o caminho, mas é aquele, que não me foi revelado, quem me leva para o caminho do meu destino até o alto monte onde peregrinos se transmutaram em profetas, onde profetas se transmutaram em deuses.
6- Da negra escuridão que tomava meus pensamentos, o rubor o encaminhou. Do rubor que encaminhou meus pensamentos, a alva luz há de me iluminar. Pois, assim como o negrume do Nada reinava no universo, a divindade recendeu o Desejo de seu rubro coração, e, deste tão santo Desejo, o branco do Todo reinou no lugar do Nada.
7- No alto do monte me encontro entre a faceta superior e a faceta superior do Todo. Do alto do monte avisto os templos pelos quais passei e, não obstante, as ermidas no qual selei meu destino. São apenas lembranças que me resguardam para o oculto que me será revelado:
8- Três suntuosos santuários eu avisto no pico mais alto do monte. Tão colossais que é impossível distinguir onde acaba um e começa o outro.
9- Num exuberante pátio percorro até alcançar a porta do primeiro santuário, embora o terceiro de seu trio, que devo entrar. No pátio vejo figuras entalhadas de homens e animais, todos tão reais, porém, tão abstratos conforme chego perto da porta, até que todos alcançam uma aparência singular.
10- Enfim abro a grande porta e me vejo em seu interior. O santuário é simetricamente perfeito, cujas nervuras que saem de suas colunas convergem para o topo da grande abóbada. As pedras que formam suas paredes são tão polidas que reflete sete vezes tudo em seu interior.
11- Neste santuário o trabalho humano é contemplado, assim como o trabalho do Inefável no santuário exterior, cuja singularidade de seu âmago fez surgir todo o espectro de cores, sabores, odores e sons.
12- Cada eco emite uma infinidade de sons, assim como o refino da luz faz surgir o infinito da orbe celeste, assim como cada indivíduo possui suas particularidades, embora unidos estamos como irmãos, assim como tudo na grande orbe está unido.
13- Na parede através do altar está escrito a palavra Entendimento. Contudo, nada entendo e não compreendo a singularidade que possibilita este sentimento, e hei de descobrir no santuário que segue.
14- Atravessando a câmara lateral, ao sul, logo me vejo no interior do segundo santuário, tão ofuscante quanto o anterior.
15- De seus cristalinos vitrais, os raios de luz transpassam, a atingir cada parede e cada objeto sagrado, como a manifestação do amor incondicional de um coração da mais perfeita candura.
16- A singularidade se exalta neste santuário, valendo-se como uma brilhante luz, ou uma estrutura contínua e eterna, ou ainda uma única palavra que faz aplacar o rancor, assim como faz edificar todo o universo.
17- O firmamento do santuário é tão alto a ponto de distorcê-lo da vista. Entretanto, seu reflexo no límpido pavimento comprova a sua tão valorosa beleza, assim como a sua proveniência do mesmo rijo mármore.
18- Na parede através do altar está escrito a palavra Sabedoria. Esta que me conduziu por caminhos de óbice, causando-me medo e pavor, atormentando-me com sua disciplina até que eu admitisse confiança e recebesse sua triunfal experiência.
19- Contudo, ela me reconduzirá por caminhos de retidão, trará alegria pra minha face e a mim manifestará seus segredos.
20- Meu sopro imortal recebe o alento que necessita e a ardente vontade de adentrar o mais íntimo mistério daquele que rege a minha sina.
21- Infiltrando-me no corredor que segue em sentido nordeste, me vejo dentro do último santuário, o mais distante, cuja estrutura atrai os olhos e a alma como a coroa gloriosa do Inefável.
22- Neste santuário se encontra o que não se pode ver, se ouve o que não se pode ouvir, se toca o que não se pode tocar. Neste santuário todas as quimeras são reveladas.
23- Não há como traduzir o que vejo por palavras que me fogem da boca toda vez que ouso clamar a deslumbrante beleza deste santuário. Seu magnânimo trabalho de alvenaria atesta o que ninguém poderia construir e seu brilho é tão impactante a ponto de projetar seus raios para o santuário anterior.
24- No entanto, só o vazio prescreve o que há em seu interior. É o caos que precede a ordem e faz o mundo segundo sua tão admirável vontade. O que é lícito ao velho peregrino conhecer?
25- Assentado no santuário está a Glória Primordial, pois ela é o que é, assim como eu sou quem sou. Contudo, meu ser se esvai a cada vez mais, morrendo em mim mesmo e dando espaço à tão admirável Glória que aqui domina.
26- Eu renuncio. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei às minhas paixões. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei ao conforto, à ganância e à vingança.
27- A dor de minha morte apraz o sopro de minhas narinas, o mesmo sopro que veio do mais íntimo do Inefável e a ele retornará. A colheira terá chegado enfim?
28- Meu coração arde em chamas, porém, sem consumí-lo, com uma intensa vontade de unir-me à cristalina chama que arde no altar. Esta vontade jamais oscilará, mas eternamente viverá como a mais sólida rocha onde todas as edificações poderão ser erguidas com arrojo.
29- De peregrino, agora sou um com o todo, nada para o mundo e tudo para a plenitude da divindade.
30- Fui um peregrino. Segui a minha sina até ao Criador da Vida retornar.
31- A voz que de mim profere ecoa nos mais altos firmamentos celestes até no mais profundo abismo, da brisa que perpassa as árvores até as correntezas dos riachos, ressignificando todas as criaturas e dignificando todos os humilhados.
32- Todos são dignos de minha sina a fim de alcançar os altos mistérios. Todavia, é indeclinável entoar os mais significantes cânticos, enunciar as mais profundas preces, entregar a si mesmo e renunciar aos mais sórdidos desejos.
33- E, a todos os que almejam a libertação, que não percam o tempo que foge. TF.SN.QN.VU