Códice da Árvore – Capítulo III

1- Há tempo que vago por entre os mortos a procurar a luz que há de preencher o negrume do meu interior, contudo, contemplo um túmulo vazio.
2- Adentrei a gruta do Conhecimento, o abismo no qual devo contemplar. Nos altos firmamentos o meu corpo dissolve como bruma, enquanto no solo terrestre a bruma coagula em meu denso corpo.
3- Nas alturas estreladas consigo enxergar o todo a me cingir, cada estrela, cada reino. Na superfície, adentrando em meu ser, consigo enxergar o todo que há dentro de mim, as estrelas que me iluminam e meus reinos interiores.
4- Sou um peregrino neste mundo, e, assim, consigo compreender o todo que há em mim e fora de mim.
5- Não sou mais eu quem prossigo o caminho, mas é aquele, que não me foi revelado, quem me leva para o caminho do meu destino até o alto monte onde peregrinos se transmutaram em profetas, onde profetas se transmutaram em deuses.
6- Da negra escuridão que tomava meus pensamentos, o rubor o encaminhou. Do rubor que encaminhou meus pensamentos, a alva luz há de me iluminar. Pois, assim como o negrume do Nada reinava no universo, a divindade recendeu o Desejo de seu rubro coração, e, deste tão santo Desejo, o branco do Todo reinou no lugar do Nada.
7- No alto do monte me encontro entre a faceta superior e a faceta superior do Todo. Do alto do monte avisto os templos pelos quais passei e, não obstante, as ermidas no qual selei meu destino. São apenas lembranças que me resguardam para o oculto que me será revelado:
8- Três suntuosos santuários eu avisto no pico mais alto do monte. Tão colossais que é impossível distinguir onde acaba um e começa o outro.
9- Num exuberante pátio percorro até alcançar a porta do primeiro santuário, embora o terceiro de seu trio, que devo entrar. No pátio vejo figuras entalhadas de homens e animais, todos tão reais, porém, tão abstratos conforme chego perto da porta, até que todos alcançam uma aparência singular.
10- Enfim abro a grande porta e me vejo em seu interior. O santuário é simetricamente perfeito, cujas nervuras que saem de suas colunas convergem para o topo da grande abóbada. As pedras que formam suas paredes são tão polidas que reflete sete vezes tudo em seu interior.
11- Neste santuário o trabalho humano é contemplado, assim como o trabalho do Inefável no santuário exterior, cuja singularidade de seu âmago fez surgir todo o espectro de cores, sabores, odores e sons.
12- Cada eco emite uma infinidade de sons, assim como o refino da luz faz surgir o infinito da orbe celeste, assim como cada indivíduo possui suas particularidades, embora unidos estamos como irmãos, assim como tudo na grande orbe está unido.
13- Na parede através do altar está escrito a palavra Entendimento. Contudo, nada entendo e não compreendo a singularidade que possibilita este sentimento, e hei de descobrir no santuário que segue.
14- Atravessando a câmara lateral, ao sul, logo me vejo no interior do segundo santuário, tão ofuscante quanto o anterior.
15- De seus cristalinos vitrais, os raios de luz transpassam, a atingir cada parede e cada objeto sagrado, como a manifestação do amor incondicional de um coração da mais perfeita candura.
16- A singularidade se exalta neste santuário, valendo-se como uma brilhante luz, ou uma estrutura contínua e eterna, ou ainda uma única palavra que faz aplacar o rancor, assim como faz edificar todo o universo.
17- O firmamento do santuário é tão alto a ponto de distorcê-lo da vista. Entretanto, seu reflexo no límpido pavimento comprova a sua tão valorosa beleza, assim como a sua proveniência do mesmo rijo mármore.
18- Na parede através do altar está escrito a palavra Sabedoria. Esta que me conduziu por caminhos de óbice, causando-me medo e pavor, atormentando-me com sua disciplina até que eu admitisse confiança e recebesse sua triunfal experiência.
19- Contudo, ela me reconduzirá por caminhos de retidão, trará alegria pra minha face e a mim manifestará seus segredos.
20- Meu sopro imortal recebe o alento que necessita e a ardente vontade de adentrar o mais íntimo mistério daquele que rege a minha sina.
21- Infiltrando-me no corredor que segue em sentido nordeste, me vejo dentro do último santuário, o mais distante, cuja estrutura atrai os olhos e a alma como a coroa gloriosa do Inefável.
22- Neste santuário se encontra o que não se pode ver, se ouve o que não se pode ouvir, se toca o que não se pode tocar. Neste santuário todas as quimeras são reveladas.
23- Não há como traduzir o que vejo por palavras que me fogem da boca toda vez que ouso clamar a deslumbrante beleza deste santuário. Seu magnânimo trabalho de alvenaria atesta o que ninguém poderia construir e seu brilho é tão impactante a ponto de projetar seus raios para o santuário anterior.
24- No entanto, só o vazio prescreve o que há em seu interior. É o caos que precede a ordem e faz o mundo segundo sua tão admirável vontade. O que é lícito ao velho peregrino conhecer?
25- Assentado no santuário está a Glória Primordial, pois ela é o que é, assim como eu sou quem sou. Contudo, meu ser se esvai a cada vez mais, morrendo em mim mesmo e dando espaço à tão admirável Glória que aqui domina.
26- Eu renuncio. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei às minhas paixões. Eu renuncio o meu ser, assim como renunciei ao conforto, à ganância e à vingança.
27- A dor de minha morte apraz o sopro de minhas narinas, o mesmo sopro que veio do mais íntimo do Inefável e a ele retornará. A colheira terá chegado enfim?
28- Meu coração arde em chamas, porém, sem consumí-lo, com uma intensa vontade de unir-me à cristalina chama que arde no altar. Esta vontade jamais oscilará, mas eternamente viverá como a mais sólida rocha onde todas as edificações poderão ser erguidas com arrojo.
29- De peregrino, agora sou um com o todo, nada para o mundo e tudo para a plenitude da divindade.
30- Fui um peregrino. Segui a minha sina até ao Criador da Vida retornar.
31- A voz que de mim profere ecoa nos mais altos firmamentos celestes até no mais profundo abismo, da brisa que perpassa as árvores até as correntezas dos riachos, ressignificando todas as criaturas e dignificando todos os humilhados.
32- Todos são dignos de minha sina a fim de alcançar os altos mistérios. Todavia, é indeclinável entoar os mais significantes cânticos, enunciar as mais profundas preces, entregar a si mesmo e renunciar aos mais sórdidos desejos.
33- E, a todos os que almejam a libertação, que não percam o tempo que foge. TF.SN.QN.VU

Códice da Árvore – Capítulo II

1- Incansáveis louvores dedico às forças que me sustentam.
2- No meu interior elas adentram e apontam para sete faróis, luzes na escuridão.
3- São sete templos, onde assentam as luzes a guiar os solitários peregrinos perdidos nas trevas.
4- Com um eu penso, com dois eu sinto, com três eu me manifesto, com sete eu reconcilio a Vida com a Morte.
5- No primeiro templo me aproximo. Sua escadaria é do mais branco mármore e sua entrada é velada por inúmeros véus negros.
6- Suas paredes são decoradas com pérolas, suas diaconisas carregam ânforas prateadas cheias de água puríssima e o incenso de seu turíbulo é de sândalo.
7- Um longo pano azul claro reveste seu altar e nele é visto uma imagem da Divindade ainda criança sendo embalada por sua mãe.
8- A dama intocada abraça o fruto de seu ventre. Ela o toma em seu regaço, o nutre e o vela de todos.
9- Véu da verdade, gruta do tesouro, templo da mais valorosa relíquia. Água mais pura e pacífica a mostrar os diamantes que nela se recolhem.
10- Que Aquele que provê tenha piedade de mim e comigo esteja pela eternidade.
11- Outro templo eu avisto e meus passos caminham até seu pórtico sem nada temer.
12- No segundo templo me aproximo. Duas entradas se encontram, uma negra e outra rubra, ambas a levar para o mesmo santo lugar.
13- O chão possui ladrilhos de duas cores intercalados, suas paredes são alaranjadas, seu teto relembra o céu profundo e o incenso de seu turíbulo é de lavanda.
14- Seu altar é revestido com um pano verde e nele a Divindade se prosta de pé, manifestando o gesto de seu poder.
15- O enviado persiste em sua jornada passando por entre cidades e aldeias. Aos doentes ele cura, aos cegos ele ilumina e aos incrédulos ele admoesta, pois só os mais amados contemplarão sua transfiguração.
16- Que Aquele que provê me traga o conhecimento que fomente minha liberdade.
17- Outro templo lá está, sem o qual não poderia passar sem vê-lo.
18- No terceiro templo me aproximo. Sua entrada é grande e ornada de espigas e seis colunas adornam seu portal.
19- Suas paredes esmeraldadas abrem-se em fileiras de janelas duplas, pétalas vívidas mostram o caminho até o a nave e o incenso de seu turíbulo é de rosa.
20- Seu altar é revestido com um pano rosa e nele a Divindade se apresenta sentado, coroado com uma guirlanda e com uma cornucópia em suas mãos.
21- Abundância e felicidade cingem o noivo magestoso. Do trigo da terra e dos peixes da água ele farta seus convidados, multiplicando as provisões, pois sua prometida a ele há de se unir no ato nupcial.
22- Que o Aquele que provê me mostre a beleza oculta que me inspira à ascensão.
23- A majestade do próximo templo ofusca a natureza que o enquadra. Janelas cintilam sua luz interior. Farol na escuridão, baluarte que a todos os templos congrega.
24- Sua escadaria é a mais longa e a mais alta, e, de todos os templos, possui as escadas mais miseráveis, de paupérrimo aspecto.
25- O caminho penoso finaliza com seu pórtico a cingir uma humilde e fina porta. A verdade, escondida outrora pelos véus, agora se encontra perante quem ousa conhecer. A vida é prometida a quem trilha o caminho da verdade, indicada pelo pórtico da vitória, pois enquanto o véu cobre, o pórtico desvenda.
26- Doze colunas douradas revestem o interior (do templo), seis de cada lado, e de suas alvíssimas paredes brotam trinta e três candelabros dourados. De seu turíbulo sai um puro odor de olíbano.
26- Seu altar, ofuscante e ornado de diamantes, é revestido com um pano branco, e nele a Divindade se apresenta estendida e agoniando em seu suplício, entregue de bom grado por amor aos mortais e para a salvação de todos.
27- Quão belo é o pelicano, que a seus filhotes alimenta. Quão gracioso é o pelicano, que vaga na seca sem encontrar o sustento para o seu rebento. Quão magnífico é o pelicano, que abre suas entranhas a oferecer seu sangue para o bem do ninho.
28- O altruísmo é a mais divina virtude, a virtude da morte. O Inefável benfaz aos que ousam. A entrega voluntária dá a paz a nossa alma e bem aos nossos amados.
29- Que Aquele que provê me torne tão magnânimo como sua divina essência e tão humilde a fim de que o orgulho não ofusque minha renúncia.
30- Um semblante de triunfo ronda o templo ao longe avistado. Até ele caminho com ardor incessante.
31- Flâmulas ornam sua fachada. Flâmulas dos heróis de outrora, cujo exemplo e honradez deixam de legado aos seus herdeiros.
32- Suas paredes, vermelhas, como revestidas de sangue. Ao longe, cravada sob a abóbada central, uma espada de ferro toma como pilar. O incenso de seu turíbulo é de verbasco
33- Seu altar é revestido de um pano anil, e nele a Divindade, em sua montura, se apresenta vitoriosa frente aos obstáculos e às rosas no chão.
34- Dos estreitos desfiladeiros, liderando a coluna, o general audacioso da impávida infantaria guia seus leais para a batalha final.
35- O líder audaz traça o destino de seus companheiros e assegura a liberdade de sua nação.
36- Com sua espada ele impõe a diligência, com os ramos em seu caminho ele define sua vitória, com sua coragem ele direciona seu poder.
37- Como um hábil guerreiro saio do templo agraciado de poder. Avisto, pois, dentre os rochedos, o Templo da Justiça.
38- Seu portal é colossal e ladeado por duas colunas, uma alva como o dia e outra negra como a noite, cujo firmamento estabelece pela sua força.
39- De vivo azul é revestido suas paredes. Um trono se assenta atrás do altar com um cetro revestido de estanho a tomar o seu lugar, e o incenso de seu turíbulo é de anis.
40- Seu altar é revestido de um pano castanho, e nele a Divindade assume a postura de um rei, com o sinal do julgamento em sua destra e o pergaminho da lei em sua sinistra.
41- Ergue-se de seu suntuoso trono o soberano, suntuoso a erguer o radiante cetro da harmonia.
42- Com o fogo que porta, fogo no qual mortais tanto se destroem na ganância e na inveja, o verdadeiro rei faz a justiça compilada pelo Céu e pela Terra, protegido pela mais alta clemência.
43- Nem seu filho nem sequer seu vassalo caberá na frente do puro equilíbrio em que se fundamenta sua glória.
44- Como astuto juiz saio do templo agraciado de glória. Avisto, então, o último templo.
45- Os seis anteriores não eram, senão, preparação para o deslumbramento que há de vir.
46- Entre as trilhas de espinhos e paisagens de ruínas eu caminho para o templo cuja entropia se alastra pelo vazio.
47- As árvores secas se confundem com rochas e as rochas se confundem com árvores secas.
48- A entrada do sétimo templo se assemelha ao buraco de uma gruta. Nele meus pavores se enervam.
49- Seu interior é negro como piche, escuro como a noite, mas uma luminária, deixada pelo último anacoreta, veio me valer.
50- Olho para baixo, para cima e para os lados, pois a ilusão se confunde com a verdade. Mas a verdade se oculta.
51- No fundo do templo se encontra o altar, revestido por um pano violeta. Nele, a Divindade se encontra renascida como a fênix. Ela desce até o submundo levar a sua luz e emerge para o seu reino com poder e glória.
52- Atrás do altar, um menir aponta para um túmulo cingido de candeias, onde diz: Aqui deita aquele que foi desprezado e hoje é o primeiro entre todos, aquele que foi sentenciado e hoje é o Eleito, aquele que outrora era mortal e hoje é Divindade.
53- Os mistérios aqui revelados não caberiam sem as trevas que os recobre.
54- Que Aquele que provê me mostre meu destino e me inspire a ser eu mesmo o senhor do meu caminho.
55- Atrás de mim, só as memórias de minhas boas obras restam. A minha frente, então, me espera o vórtice do desconhecido, o negrume onde só se ouve a fonte primeva a jorrar deslumbramentos e desilusões.
56- Verdades imutáveis são apresentadas a quem não teme. Prazeres inesgotáveis são concedidos a quem se mortifica. Assim como o ciclo sempre volta ao início, a ascensão clama por um fim. TF.SN.QN.VU

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Códice da Árvore – Capítulo I

1- Meus braços eu ergo à centelha primeva que sobre mim emana como uma fulgurosa tiara.
2- Deitai, ó labareda, sob meus pés, transpassando todo o meu corpo, pairando como uma folha ao vento. Fazei de tua presença meu reino.
3- À minha direita ergo o rubi da potência. Ó rubro fulgor, dai-me a diligência de um guerreiro.
4- À minha esquerda ergo a safira da glória. Ó cerúleo fulgor, dai-me a sabedoria de um rei.
5- Minha alma, como um cálice donde se derrama as graças altíssimas, se regozija e meus braços se unem sobre meu peito, ardente como fogo, puro como a água, a declamar a mais bela trova.
6- As quatro luzes cingem meu ser e me guiam no caminho santo no qual devo percorrer.
7- Sou um peregrino neste mundo. Preso nas trevas não busco senão o mais santo, o mais elevado, o mais sublime. Contudo não sei o que é santo, elevado e sublime.
8- Como inocente criança, aprendo com o que vejo, vejo o que busco e busco o que desejo.
9- Minha vista, a demostrar devoção e clamor, paira sob um menir, túmulo de minha mãe, e nele leio: quatro firmamentos são a tua carne, três baluartes são a tua alma, una-os, pois assim elevará ao excelso dos excelsos.
10- Leio, reflito, clamo aos céus e contemplo a predição.
11- A quimera vigilante ronda meu caminho e trilha minha sina.
12- No horizonte do sol nascente, quatro edificações minha visão alcança. São pequenas ermidas, modestas, porém hospitaleiras para o também modesto e pobre peregrino.
13- São elas regalos piedosos do Inefável, que até mim vêm como uma forma suplicante de remissão.
14- Encruzilhadas no caminho me instigam alvedrio, mas meu coração persegue as ermidas com incessante ardor.
15- A primeira ermida, entre fileiras de douradas espigas, é firme como a rocha. Grãos envoltam seu altar e seu ídolo é um touro de olivina.
16- Somente a impavidez dirige meus desejos mais sinceros. Que a Divina Providência me encha com a fortaleza que preciso para prosseguir meu destino.
17- A segunda ermida, suspensa sob um manancial, é serena como as águas que o cinge. Um cálice orna seu altar e seu ídolo é um ente de turquesa.
18- Somente pacífico meu coração refletirá sua verdadeira essência. Que a Divina Providência me encha com a temperança que preciso para prosseguir meu destino.
19- A terceira ermida, no ápice de um monte, é inspiradora como o vento. Um báculo orna seu altar e seu ídolo é uma ave de citrino.
20- Apenas a razão pode romper a escuridão de minha vista. Que a Divina Providência me encha com a sabedoria que preciso para prosseguir meu destino.
21- A quarta ermida, banhada pela luz solar, é deslumbrante como o fogo. Uma espada orna seu altar e seu ídolo é um leão de cornalina.
22- Apenas a bravura me guia frente ao caminho da retidão. Que a Divina Providência me encha com a justiça que preciso para prosseguir meu destino.
23- Jubilados estejam os que adentram as ermidas e desvendam o desconhecido de seu próprio interior, pois o todo se esvairá em breve.
24- Elevado meu coração, meus olhos pairam sobre outro menir, túmulo de meu pai, e nele leio: a colheita está próxima, prossegui e atentai.
25- O temor assola o meu sopro, o horror se mostra perante minha vista.
26- Com dor e pesar meu pranto escapa tal como um infeliz moribundo acorrentado a seu passado de desperdício.
27- Meus pecados voltam a me assombrar, não consigo suportar. Minhas preces, contudo, vêm me amparar, a limpar-me do jugo servil e das lágrimas de contrição.
28- Das trevas me despirei e da luz me vestirei, a fim de me ver livre das dificuldades, da dor e da angústia.
29- Sou um peregrino. Preso nas trevas não volto a ser o que fui.
30- Sou um peregrino. Sigo minha sina onde o Criador da Morte me enviar.
31- Por caminhos malditos hei de passar, sem nada tocar, nada ver, nada ouvir, senão a verdade latente em meu ser.
32- Entoarei os mais significantes cânticos, enunciarei as mais profundas preces, derramarei meu mais fino sangue e renunciarei meus mais sórdidos desejos.
33- E, até que me liberte deste suplício, sigo silencioso ao eterno oriente. TF.SN.QN.VU

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