1- Meus braços eu ergo à centelha primeva que sobre mim emana como uma fulgurosa tiara.
2- Deitai, ó labareda, sob meus pés, transpassando todo o meu corpo, pairando como uma folha ao vento. Fazei de tua presença meu reino.
3- À minha direita ergo o rubi da potência. Ó rubro fulgor, dai-me a diligência de um guerreiro.
4- À minha esquerda ergo a safira da glória. Ó cerúleo fulgor, dai-me a sabedoria de um rei.
5- Minha alma, como um cálice donde se derrama as graças altíssimas, se regozija e meus braços se unem sobre meu peito, ardente como fogo, puro como a água, a declamar a mais bela trova.
6- As quatro luzes cingem meu ser e me guiam no caminho santo no qual devo percorrer.
7- Sou um peregrino neste mundo. Preso nas trevas não busco senão o mais santo, o mais elevado, o mais sublime. Contudo não sei o que é santo, elevado e sublime.
8- Como inocente criança, aprendo com o que vejo, vejo o que busco e busco o que desejo.
9- Minha vista, a demostrar devoção e clamor, paira sob um menir, túmulo de minha mãe, e nele leio: quatro firmamentos são a tua carne, três baluartes são a tua alma, una-os, pois assim elevará ao excelso dos excelsos.
10- Leio, reflito, clamo aos céus e contemplo a predição.
11- A quimera vigilante ronda meu caminho e trilha minha sina.
12- No horizonte do sol nascente, quatro edificações minha visão alcança. São pequenas ermidas, modestas, porém hospitaleiras para o também modesto e pobre peregrino.
13- São elas regalos piedosos do Inefável, que até mim vêm como uma forma suplicante de remissão.
14- Encruzilhadas no caminho me instigam alvedrio, mas meu coração persegue as ermidas com incessante ardor.
15- A primeira ermida, entre fileiras de douradas espigas, é firme como a rocha. Grãos envoltam seu altar e seu ídolo é um touro de olivina.
16- Somente a impavidez dirige meus desejos mais sinceros. Que a Divina Providência me encha com a fortaleza que preciso para prosseguir meu destino.
17- A segunda ermida, suspensa sob um manancial, é serena como as águas que o cinge. Um cálice orna seu altar e seu ídolo é um ente de turquesa.
18- Somente pacífico meu coração refletirá sua verdadeira essência. Que a Divina Providência me encha com a temperança que preciso para prosseguir meu destino.
19- A terceira ermida, no ápice de um monte, é inspiradora como o vento. Um báculo orna seu altar e seu ídolo é uma ave de citrino.
20- Apenas a razão pode romper a escuridão de minha vista. Que a Divina Providência me encha com a sabedoria que preciso para prosseguir meu destino.
21- A quarta ermida, banhada pela luz solar, é deslumbrante como o fogo. Uma espada orna seu altar e seu ídolo é um leão de cornalina.
22- Apenas a bravura me guia frente ao caminho da retidão. Que a Divina Providência me encha com a justiça que preciso para prosseguir meu destino.
23- Jubilados estejam os que adentram as ermidas e desvendam o desconhecido de seu próprio interior, pois o todo se esvairá em breve.
24- Elevado meu coração, meus olhos pairam sobre outro menir, túmulo de meu pai, e nele leio: a colheita está próxima, prossegui e atentai.
25- O temor assola o meu sopro, o horror se mostra perante minha vista.
26- Com dor e pesar meu pranto escapa tal como um infeliz moribundo acorrentado a seu passado de desperdício.
27- Meus pecados voltam a me assombrar, não consigo suportar. Minhas preces, contudo, vêm me amparar, a limpar-me do jugo servil e das lágrimas de contrição.
28- Das trevas me despirei e da luz me vestirei, a fim de me ver livre das dificuldades, da dor e da angústia.
29- Sou um peregrino. Preso nas trevas não volto a ser o que fui.
30- Sou um peregrino. Sigo minha sina onde o Criador da Morte me enviar.
31- Por caminhos malditos hei de passar, sem nada tocar, nada ver, nada ouvir, senão a verdade latente em meu ser.
32- Entoarei os mais significantes cânticos, enunciarei as mais profundas preces, derramarei meu mais fino sangue e renunciarei meus mais sórdidos desejos.
33- E, até que me liberte deste suplício, sigo silencioso ao eterno oriente. TF.SN.QN.VU
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2- Deitai, ó labareda, sob meus pés, transpassando todo o meu corpo, pairando como uma folha ao vento. Fazei de tua presença meu reino.
3- À minha direita ergo o rubi da potência. Ó rubro fulgor, dai-me a diligência de um guerreiro.
4- À minha esquerda ergo a safira da glória. Ó cerúleo fulgor, dai-me a sabedoria de um rei.
5- Minha alma, como um cálice donde se derrama as graças altíssimas, se regozija e meus braços se unem sobre meu peito, ardente como fogo, puro como a água, a declamar a mais bela trova.
6- As quatro luzes cingem meu ser e me guiam no caminho santo no qual devo percorrer.
7- Sou um peregrino neste mundo. Preso nas trevas não busco senão o mais santo, o mais elevado, o mais sublime. Contudo não sei o que é santo, elevado e sublime.
8- Como inocente criança, aprendo com o que vejo, vejo o que busco e busco o que desejo.
9- Minha vista, a demostrar devoção e clamor, paira sob um menir, túmulo de minha mãe, e nele leio: quatro firmamentos são a tua carne, três baluartes são a tua alma, una-os, pois assim elevará ao excelso dos excelsos.
10- Leio, reflito, clamo aos céus e contemplo a predição.
11- A quimera vigilante ronda meu caminho e trilha minha sina.
12- No horizonte do sol nascente, quatro edificações minha visão alcança. São pequenas ermidas, modestas, porém hospitaleiras para o também modesto e pobre peregrino.
13- São elas regalos piedosos do Inefável, que até mim vêm como uma forma suplicante de remissão.
14- Encruzilhadas no caminho me instigam alvedrio, mas meu coração persegue as ermidas com incessante ardor.
15- A primeira ermida, entre fileiras de douradas espigas, é firme como a rocha. Grãos envoltam seu altar e seu ídolo é um touro de olivina.
16- Somente a impavidez dirige meus desejos mais sinceros. Que a Divina Providência me encha com a fortaleza que preciso para prosseguir meu destino.
17- A segunda ermida, suspensa sob um manancial, é serena como as águas que o cinge. Um cálice orna seu altar e seu ídolo é um ente de turquesa.
18- Somente pacífico meu coração refletirá sua verdadeira essência. Que a Divina Providência me encha com a temperança que preciso para prosseguir meu destino.
19- A terceira ermida, no ápice de um monte, é inspiradora como o vento. Um báculo orna seu altar e seu ídolo é uma ave de citrino.
20- Apenas a razão pode romper a escuridão de minha vista. Que a Divina Providência me encha com a sabedoria que preciso para prosseguir meu destino.
21- A quarta ermida, banhada pela luz solar, é deslumbrante como o fogo. Uma espada orna seu altar e seu ídolo é um leão de cornalina.
22- Apenas a bravura me guia frente ao caminho da retidão. Que a Divina Providência me encha com a justiça que preciso para prosseguir meu destino.
23- Jubilados estejam os que adentram as ermidas e desvendam o desconhecido de seu próprio interior, pois o todo se esvairá em breve.
24- Elevado meu coração, meus olhos pairam sobre outro menir, túmulo de meu pai, e nele leio: a colheita está próxima, prossegui e atentai.
25- O temor assola o meu sopro, o horror se mostra perante minha vista.
26- Com dor e pesar meu pranto escapa tal como um infeliz moribundo acorrentado a seu passado de desperdício.
27- Meus pecados voltam a me assombrar, não consigo suportar. Minhas preces, contudo, vêm me amparar, a limpar-me do jugo servil e das lágrimas de contrição.
28- Das trevas me despirei e da luz me vestirei, a fim de me ver livre das dificuldades, da dor e da angústia.
29- Sou um peregrino. Preso nas trevas não volto a ser o que fui.
30- Sou um peregrino. Sigo minha sina onde o Criador da Morte me enviar.
31- Por caminhos malditos hei de passar, sem nada tocar, nada ver, nada ouvir, senão a verdade latente em meu ser.
32- Entoarei os mais significantes cânticos, enunciarei as mais profundas preces, derramarei meu mais fino sangue e renunciarei meus mais sórdidos desejos.
33- E, até que me liberte deste suplício, sigo silencioso ao eterno oriente. TF.SN.QN.VU
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