1- Pelas coisas tangíveis e sutis, visíveis e invisíveis, declaro, sob os cuidados da Morte, minha plena dedicação a esta obra, chave excelsa do conhecimento, para todos os que um dia ousem se declarar mestres e para todos cujos caminhos lhes foram cerrados.
3- A Morte não classifica seus adeptos, mas a entrada em seu círculo exige fé e também exige ceticismo. Ceticismo para os valores mundanos e fé na plenitude dos propósitos.
4- A fé nos tira o medo da Morte. Demasiado louvável é morrer por um ideal, se entregar pelo todo, fazer-se o todo em consumação.
5- O ceticismo também nos tira o medo da Morte. A desilusão fere nossa alma. Voltamos somente a nós mesmos, nada podemos compartilhar senão nosso pranto, e, num momento oportuno, nos entregamos a fim de nos libertarmos.
6- Fé e razão são dois termos que julgamos serem opostos e que são idênticos.
7- Entretanto há fiéis que agem como céticos e céticos que agem como fiéis. Não pré-julguemos, assim como a Morte não nos caracteriza senão pela nossa alma. Sede vigilantes.
8- Fiéis ou céticos, todos nos prendemos à uma ideia e oscilamos entre elas.
9- Quase todas as ideias dos que se intitulam mestres pregam um autoritarismo disfarçado de liberdade e um egoísmo disfarçado de comunhão.
10- Esses mestres vos prendem em vosso momento de maior desilusão e vos propelem as ideias de suas próprias convicções, convicções essas que só lhes garantem riquezas e prestígios.
11- Pensai, pois, numa verdadeira liberdade. Pensai, pois, numa mais afável comunhão. Não vos limiteis em vossas vontades puramente servis e efêmeras.
12- Um grande sábio de outrora praticava a comunhão e ensinava a verdadeira liberdade, e, por consequência, foi torturado até a morte, mas ele não se arrependeu, pois seus atos e palavras eram mais valorosos do que os prazeres da carne, o bem de seus amados era mais valoroso do que o envoltório que aprisionava a sua alma. Essa é a verdadeira liberdade e comunhão, essa é a excelência da Morte.
13- Se sóis sábios, e tendo razão em vossas palavras, escolhei o sacrifício ante retirar vossas palavras e tornar-vos indignos. Os que temem a Morte escolherão retratar-se, mas os que temem a desonra escolherão o sacrifício. Sede vigilantes.
14- Nada há a temer. A Morte é o todo e o nada, a plenitude e a escassez, a consoladora dos que sofrem e o alicerce de quem luta.
15- Portanto, sempre que um pensamento ruim vos assola, sempre que vossa vida parecer vazia, sempre que o mundo vos parecer um lugar cruel, pensai na Morte e como ela vos apraz.
16- Sabei que ser adepto não é cometer atos incautos nem tampouco contrariar a própria vontade. Ser um fiel adepto da Morte exige, unicamente, a compreensão de seu mistério e a sabedoria do tempo.
17- E eis o que vos fará entender o que é a sabedoria do tempo: expandi vossos esforços para os vivos e os caídos, sede consolo dos lacrimosos, guardião dos aflitos e, aos enfermos, enviai vossas mais piedosos empenhos. Enfim, em todas os vossos atos, lembrai-vos da Morte e vede extirpados os vossos pecados, assim a sabedoria a vós será concedida.
18- De injustiça e iniquidade o mundo é cingido, e, por consequência, duas vias bifurcam o caminho do adepto: o da autoquíria e o da ação.
19- Entre vós, mortais, alguns são fortes e outros são fracos, sem que isso jamais defina vosso valor. Os mais fracos, desesperançosos, se entregam à morte sem resistir. Os mais fortes preferem morrer agindo, preferem morrer se esforçando para limpar o mundo das impurezas da iniquidade e da injustiça. Ambos não temem a Morte. Ambos possuem seu valor.
20- A Morte não julga a quem atente contra a própria vida, mas sim a finalidade deste ato, portanto, se vosso objetivo for digno, tão digno a ponto de ofuscar as estrelas do céu, então vossa entrega será honrada.
21- Atentar contra vosso igual possui um peso maior na balança da alma. Tirar a vida de um ser contra sua vontade é uma afronta à liberdade, e isto à Morte não apraz, contudo, o mesmo não se dá quando o ser está em sofrimento na carne ou quando sua morte é necessária para a liberdade de um todo.
22- Sabei que estão enganados os que usam o clamor à Morte para fazer atos cruéis e egoístas. A Morte não é cruel e nem se regozija com a indiferença entre os indivíduos. Os que assim pensam estão ludibriados pela mesma mentira usada para levantar o meda da Morte. Sede vigilantes.
23- Assim como todos falecemos e temos nossos corpos enterrados na mesma terra sagrada, então que vivamos com esse mesmo ensinamento que a Morte nos proporciona, vivamos humildes, empáticos, unidos, sem rótulos e com os propósitos da mais elevada maestria, a fim de olharmos para trás e vermos um trabalho concluído com perfeição.
24- Sede cínicos, mas apáticos jamais.
25- Sabei que nenhum orgulho que exprima a glória da alma pode ser chamado de orgulho, e nenhuma humildade que procure humilhar vossa significância merece a alcunha de humildade.
26- Muitos usam do clamor à Morte para fugir do passado, fugir de sua sina. Contudo não fujais. Fugir de nada adianta, portanto tratai de enfrentar o passado para seguir o futuro e vos vedes livres, enfim, de vossos temores. Sede vigilantes.
27- Todos vós, mortais, tendes a boca repleta de questionamentos. Não sabeis de quase nada do que é verdade e do que se oculta, do que é prudente e do que é imprudente, e tampouco sabeis de vós mesmos.
28- A Morte sabe o que se passa em vosso coração e só consente quando chegar o dia em que havereis de sentir sua gélida gadanha em vosso pescoço.
29- Vós, mortais, equivocais com constância, mas só os superiores confessam o equívoco sem que a soberba tome o seu ser. Tendo a aceitação como nível, lapideis vosso interior, mediteis em vossos pecados e deles vos livrais, pois se quereis sentir a macia seda do manto da Morte, então que sintais na mais pura essência de vosso ser.
30- Não sabemos como sucederá o nosso fim, tampouco algum suposto mestre saberia, portanto não percais o tempo que foge: apressai-vos a viver bem, pensando que cada dia é, por si só, uma trajetória, sempre perseguindo os veneráveis propósitos desta obra.
31- Que o véu seja levantado, a venda seja arrancada e a cegueira seja dissipada para os que procuram as verdades da mais alta maestria.
32- Louvores e devoção a quem nos conforta no epílogo de nossa vida. E a vós, fiéis adeptos, sede vigilantes, pois longos são os esforços que vos são incubidos e breve é a vossa vida.
3- A Morte não classifica seus adeptos, mas a entrada em seu círculo exige fé e também exige ceticismo. Ceticismo para os valores mundanos e fé na plenitude dos propósitos.
4- A fé nos tira o medo da Morte. Demasiado louvável é morrer por um ideal, se entregar pelo todo, fazer-se o todo em consumação.
5- O ceticismo também nos tira o medo da Morte. A desilusão fere nossa alma. Voltamos somente a nós mesmos, nada podemos compartilhar senão nosso pranto, e, num momento oportuno, nos entregamos a fim de nos libertarmos.
6- Fé e razão são dois termos que julgamos serem opostos e que são idênticos.
7- Entretanto há fiéis que agem como céticos e céticos que agem como fiéis. Não pré-julguemos, assim como a Morte não nos caracteriza senão pela nossa alma. Sede vigilantes.
8- Fiéis ou céticos, todos nos prendemos à uma ideia e oscilamos entre elas.
9- Quase todas as ideias dos que se intitulam mestres pregam um autoritarismo disfarçado de liberdade e um egoísmo disfarçado de comunhão.
10- Esses mestres vos prendem em vosso momento de maior desilusão e vos propelem as ideias de suas próprias convicções, convicções essas que só lhes garantem riquezas e prestígios.
11- Pensai, pois, numa verdadeira liberdade. Pensai, pois, numa mais afável comunhão. Não vos limiteis em vossas vontades puramente servis e efêmeras.
12- Um grande sábio de outrora praticava a comunhão e ensinava a verdadeira liberdade, e, por consequência, foi torturado até a morte, mas ele não se arrependeu, pois seus atos e palavras eram mais valorosos do que os prazeres da carne, o bem de seus amados era mais valoroso do que o envoltório que aprisionava a sua alma. Essa é a verdadeira liberdade e comunhão, essa é a excelência da Morte.
13- Se sóis sábios, e tendo razão em vossas palavras, escolhei o sacrifício ante retirar vossas palavras e tornar-vos indignos. Os que temem a Morte escolherão retratar-se, mas os que temem a desonra escolherão o sacrifício. Sede vigilantes.
14- Nada há a temer. A Morte é o todo e o nada, a plenitude e a escassez, a consoladora dos que sofrem e o alicerce de quem luta.
15- Portanto, sempre que um pensamento ruim vos assola, sempre que vossa vida parecer vazia, sempre que o mundo vos parecer um lugar cruel, pensai na Morte e como ela vos apraz.
16- Sabei que ser adepto não é cometer atos incautos nem tampouco contrariar a própria vontade. Ser um fiel adepto da Morte exige, unicamente, a compreensão de seu mistério e a sabedoria do tempo.
17- E eis o que vos fará entender o que é a sabedoria do tempo: expandi vossos esforços para os vivos e os caídos, sede consolo dos lacrimosos, guardião dos aflitos e, aos enfermos, enviai vossas mais piedosos empenhos. Enfim, em todas os vossos atos, lembrai-vos da Morte e vede extirpados os vossos pecados, assim a sabedoria a vós será concedida.
18- De injustiça e iniquidade o mundo é cingido, e, por consequência, duas vias bifurcam o caminho do adepto: o da autoquíria e o da ação.
19- Entre vós, mortais, alguns são fortes e outros são fracos, sem que isso jamais defina vosso valor. Os mais fracos, desesperançosos, se entregam à morte sem resistir. Os mais fortes preferem morrer agindo, preferem morrer se esforçando para limpar o mundo das impurezas da iniquidade e da injustiça. Ambos não temem a Morte. Ambos possuem seu valor.
20- A Morte não julga a quem atente contra a própria vida, mas sim a finalidade deste ato, portanto, se vosso objetivo for digno, tão digno a ponto de ofuscar as estrelas do céu, então vossa entrega será honrada.
21- Atentar contra vosso igual possui um peso maior na balança da alma. Tirar a vida de um ser contra sua vontade é uma afronta à liberdade, e isto à Morte não apraz, contudo, o mesmo não se dá quando o ser está em sofrimento na carne ou quando sua morte é necessária para a liberdade de um todo.
22- Sabei que estão enganados os que usam o clamor à Morte para fazer atos cruéis e egoístas. A Morte não é cruel e nem se regozija com a indiferença entre os indivíduos. Os que assim pensam estão ludibriados pela mesma mentira usada para levantar o meda da Morte. Sede vigilantes.
23- Assim como todos falecemos e temos nossos corpos enterrados na mesma terra sagrada, então que vivamos com esse mesmo ensinamento que a Morte nos proporciona, vivamos humildes, empáticos, unidos, sem rótulos e com os propósitos da mais elevada maestria, a fim de olharmos para trás e vermos um trabalho concluído com perfeição.
24- Sede cínicos, mas apáticos jamais.
25- Sabei que nenhum orgulho que exprima a glória da alma pode ser chamado de orgulho, e nenhuma humildade que procure humilhar vossa significância merece a alcunha de humildade.
26- Muitos usam do clamor à Morte para fugir do passado, fugir de sua sina. Contudo não fujais. Fugir de nada adianta, portanto tratai de enfrentar o passado para seguir o futuro e vos vedes livres, enfim, de vossos temores. Sede vigilantes.
27- Todos vós, mortais, tendes a boca repleta de questionamentos. Não sabeis de quase nada do que é verdade e do que se oculta, do que é prudente e do que é imprudente, e tampouco sabeis de vós mesmos.
28- A Morte sabe o que se passa em vosso coração e só consente quando chegar o dia em que havereis de sentir sua gélida gadanha em vosso pescoço.
29- Vós, mortais, equivocais com constância, mas só os superiores confessam o equívoco sem que a soberba tome o seu ser. Tendo a aceitação como nível, lapideis vosso interior, mediteis em vossos pecados e deles vos livrais, pois se quereis sentir a macia seda do manto da Morte, então que sintais na mais pura essência de vosso ser.
30- Não sabemos como sucederá o nosso fim, tampouco algum suposto mestre saberia, portanto não percais o tempo que foge: apressai-vos a viver bem, pensando que cada dia é, por si só, uma trajetória, sempre perseguindo os veneráveis propósitos desta obra.
31- Que o véu seja levantado, a venda seja arrancada e a cegueira seja dissipada para os que procuram as verdades da mais alta maestria.
32- Louvores e devoção a quem nos conforta no epílogo de nossa vida. E a vós, fiéis adeptos, sede vigilantes, pois longos são os esforços que vos são incubidos e breve é a vossa vida.